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#OrePeloHaiti: Com eleições adiadas, furacão aumenta caos político no Haiti

Por Gabriel Cruz | 19 de outubro de 2016

Duas semanas depois de atingir o Haiti e deixar mil mortos e 60 mil desalojados, o furacão Matthew deve também causar estragos nos planos do país para deixar de ser a nação mais pobre das Américas.



No campo político, o desastre piorou um cenário que já era conturbado. As eleições presidenciais, marcadas para 9 de outubro, foram adiadas devido à tempestade.

Já há uma nova data marcada, 20 de novembro, mas há dúvidas sobre a capacidade do governo haitiano de realizar um pleito tão pouco tempo depois da pior crise humanitária desde o terremoto de 2010, que matou 220 mil pessoas.



Estima-se que cerca de 70% dos prédios do departamento Sul que seriam usados como posto de votação foram danificados. Além disso, é esperado que parte significativa das vítimas, especialmente na camada mais pobre, tenha perdido seus documentos na tempestade, o que dificultaria que votassem.

Por conta desses problemas, a ONU pressionava nos bastidores para que o pleito acontecesse daqui a pelo menos dois meses. Na avaliação da organização, os esforços do governo e da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) deveriam se concentrar em prover assistência às vítimas nesta fase mais aguda do desastre.

"Desde janeiro insistimos para que as eleições acontecessem o quanto antes, mas achamos que agora seria melhor que o Haiti esperasse um pouco mais", afirmou à Folha o general Ajax Porto Ribeiro, brasileiro que comanda o braço militar da Minustah, antes da definição da nova data.

Às complicações causadas pelo furacão soma-se o já problemático cenário eleitoral pré-Matthew.

O primeiro turno das eleições aconteceu em outubro do ano passado, mas foi anulado depois de acusações de fraude no processo.

O segundo, marcado para janeiro, nunca aconteceu, e o presidente do Senado, Jocelerme Privert, foi escolhido em eleições indiretas para ocupar o cargo até um novo pleito. Os 120 dias previstos em seu mandato interino acabaram em junho, as eleições não vieram e, mesmo sem autorização expressa do Congresso, Privert segue no poder.




ECONOMIA

O embaixador do Brasil no Haiti, Fernando Vidal, admite que o furacão aumentou o caos eleitoral, mas sustenta que o pior dano causado ao futuro do país é na agricultura.

Diferentemente do terremoto de 2010, que dizimou a capital Porto Príncipe, o furacão atingiu mais a área rural do Haiti e arruinou a maior parte das plantações do departamento Sul.

"As plantações de banana, uma das bases na alimentação local, foram destruídas e, no curto prazo, as pessoas não têm o que comer se não receberem ajuda humanitária", afirma Vidal.

É o que também acredita o historiador americano Laurent Dubois, autor do livro "Haiti: Aftershocks of History" (Haiti: Abalos Secundários da História, em tradução livre). Segundo ele, a questão da segurança alimentar já era crítica antes do furacão e a partir de agora será "dramática".

"No passado, o Haiti era capaz de prover alimento para sua população e ainda exportar alguns produtos. Antes do Matthew, já importava metade da sua comida", afirma.

TURISMO

Os danos causados pelo furacão ainda devem afetar lateralmente as pretensões do país de alavancar a economia por meio do turismo. Várias cidades atingidas, como Port Salut, ficam em praias tipicamente caribenhas, de água transparente e areia branca.

"O estrago só não foi maior porque a infraestrutura existente já era muito precária", diz o embaixador Vidal.

A base de comparação quando se fala em desenvolver o turismo no Haiti é a República Dominicana, que fica na mesma ilha que a ex-colônica francesa. Cerca de 60% do PIB daquele país vem do setor de serviços, do qual o turismo tem a maior fatia.

Em 2014, os dominicanos receberam 5,1 milhões de turistas. Para efeito de comparação, o Brasil recebeu 6,4 milhões no mesmo período. Já o Haiti teve apenas 465 mil visitantes.

"O Haiti tem um potencial turístico enorme, mas, além da falta de estrutura hoteleira, precisa superar problemas como o alto custo da energia elétrica, a instabilidade política que afasta investidores e até a imagem de que é um país marcado por desastres. É uma tarefa difícil", diz Cláudio Leopoldino, ministro-conselheiro da embaixada brasileira.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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