#OrePeloMundo
"Orando em todo o tempo..."
Efésios 6: 18
Início » , Não fuja do seu chamado

Não fuja do seu chamado

Publicado por Gabriel Cruz | 21 de junho de 2017

Todos os profetas do Antigo Testamento tiveram um chamado claro de Deus para anunciar uma mensagem ao Seu povo. Com Jonas não foi diferente, seu chamado foi tão desafiador quanto o de Oséias (casar com uma prostituta) ou o de Jeremias (ser considerado traidor do próprio povo). Jonas recebeu o desafio de levar uma mensagem de juízo contra a capital o Império Assírio, a nação mais terrível e poderosa de sua época e ainda por cima inimiga do seu país.
Ao olharmos o texto com um pouco mais de atenção vamos perceber que o chamado de Jonas dividiu-se em três partes: um chamado para obedecer a Deus, uma chamado para amar as pessoas e um chamado para avaliação de si próprio.

Não fuja do seu chamado para com Deus

Uma característica que marca o profeta Jonas é a desobediência. Ele desobedeceu a uma ordem direta de Deus. O Senhor falou claramente a Jonas que fosse levar a sua mensagem à cidade de Nínive e ele, deliberadamente não foi.

Em seu desespero Jonas desconsidera a onipresença de Deus, pois sua intenção era “fugir da presença de Deus” (1.3). É possível que isso tenha acontecido devido à crença israelita de que Deus habitava somente no templo, desse modo, o local para onde o profeta fugiu era o extremo oposto de onde o Senhor o tinha mandado ir. Társis ficava no sul da Espanha do outro lado do Mar Mediterrâneo.

Muitos estudiosos têm procurado descobrir o motivo de Jonas ter fugido. Alguns afirmam que foi devido à sua consciência de que Deus iria perdoar o povo, outros acreditam que seu orgulho judeu o impediu de levar a mensagem àquele povo, pois as bênçãos do Senhor deveriam vir somente para a sua nação. O que interessa mesmo é que o profeta desobedeceu conscientemente uma ordem direta dada por Deus, e ainda resolveu arcar com todas as despesas por esta decisão, pois vemos que ele pagou a sua passagem no navio para Társis (1.3).

Se considerarmos que Deus é um ser onisciente vamos perceber que Ele escolheu Jonas para esta tarefa apesar de saber que o profeta iria tentar fugir. Aprendemos com isso que o Senhor usa pessoas que têm vontades próprias e falhas humanas. Nós, assim como os profetas, não somos seres autômatos, somos homens falhos. O nosso chamado para obedecer a Deus teve superar qualquer tentativa de nossa natureza humana em fugir da responsabilidade que Ele nos deu. Só assim entenderemos que é um privilégio servi-lo, pois ele quer nos usar, apesar de sermos quem somos.

Não fuja do seu chamado para com as pessoas

Se olharmos atentamente o relato do livro vamos observar que o único momento mencionado em que Jonas se alegrou foi quando nasceu sobre ele uma planta que o refrescou do calor intenso (4.6). Isso era uma alegria egoísta, pois resultava em seu próprio conforto. O profeta tinha se alegrado sobremaneira com uma planta que Deus havia feito nascer sobre ele. Esta planta morreu logo no dia seguinte e isto trouxe grande ira sobre o profeta que pediu a Deus sua morte (4.1-3).

Perceba que Jonas estava mais preocupado – e tinha se alegrado mais – com a planta que ele não teve o trabalho de cultivar, podar, regar e que nasceu sobre ele somente devido à graça de Deus. Ele não foi capaz de se alegrar pelo arrependimento de um povo pagão a quem Deus muito amava.

Soraya Cavalcanti diz no livro “Mergulho no Ser” que Jonas “amava mais as coisas do que as pessoas. Coisificava pessoas e pessoalizava coisas”. A planta que nasceu sobre ele era mais importante do que milhares de pessoas que iriam morrer por causa da ira de Deus. Tudo isso demonstra que o profeta não tinha o Senhor como foco de sua vida. Se sua paixão fosse a glória de Deus, ele teria se alegrado porque mais uma nação na terra iria render louvores ao nome do Senhor. Ao invés disso ele estava olhando para si mesmo e reclamando que o único objeto que lhe proporcionou alegria no momento havia secado.

Isso nos leva a perguntar como tem sido a nossa relação com as outras pessoas. Que nível de importância temos dado às bênçãos materiais que temos recebido de Deus, será que estas coisas tem assumido importância tal em nossa vida que nos esquecemos de levantar os olhos para nosso próximo? Será que, como Jonas, temos “coisificado pessoas e pessoalizado coisas”?

Não fuja do seu chamado para consigo mesmo

Jonas é um dos primeiros personagens bíblicos que escolhemos quando queremos dar um exemplo ruim a ser seguido. Isso nos leva ao perigo de desconsiderarmos algumas qualidades que podemos encontrar no profeta. Não quero com esse ponto justificar as atitudes erradas do profeta, mas mostrar que também podemos tirar lições positivas para nossa vida.

Pela narrativa detalhada fica claro que o autor do livro é o próprio profeta Jonas. Veja como, ao longo da história, ele descreveu e narrou todas as suas falhas e os seus defeitos sem encobrir nada (1.3,5,10; 4.1-8). Ele sabia que este era um ensinamento que deveria ficar para a posteridade e, no entanto não contou a história de maneira que o exaltasse. Isso demonstra sua honestidade no relato.

No diálogo que Jonas tem com o Senhor ele expressa toda sua raiva e seu descontentamento diante de Deus sem medo algum. Ele se revelou por inteiro ao Senhor mostrando que ele estava indignado e deixou claro que o objeto de sua indignação era a bondade e misericórdia do Senhor (4.2,3). Ele não teve medo de se mostrar descontente contra Deus. Isso demonstra sua total transparência diante daquele que sonda mentes e corações.

No barco, quando os marinheiros questionaram sobre sua identidade, apesar de seu mau testemunho, ele não negou que era servo do Deus dos céus e do mar (1.9). Ele teve coragem para admitir que era sua culpa toda aquela tempestade e mais coragem ainda para sentenciar sua morte para que os marinheiros pudesse se salvar daquela situação (1.11,12)

Jonas nos ensina a sermos sinceros conosco mesmos. Muitas vezes procuramos razões para nos justificarmos de atitudes erradas que tomamos. O pior é quando isso acontece em oração, diante do Deus onisciente, diante de quem podemos nos expor sem medo e vergonha.

Conclusão

O arrependimento do profeta em situação de calamidade o faz renovar seus votos diante de Deus, leva-o a louvá-lo por sua infinita bondade e supremacia em relação aos outros deuses e faz com que ele ofereça sacrifícios ao Deus único e verdadeiro (2.8,9). Assim que ele é jogado na praia ele põe em prática o resultado deste arrependimento e se dispõe novamente, mas desta vez para cumprir a vontade do Senhor (3.3). Assim como Jonas nós devemos atender ao chamado do Senhor para as nossas vidas, sem negligenciar aqueles que nos cercam e tendo uma visão correta e humilde de quem somos diante de Deus.

Por Héber Negrão

0 comentários :

Postar um comentário